quarta-feira, 27 de junho de 2007

Artigo

Zero Hora
Porto Alegre, 27 de junho de 2007. Edição nº 15284


Artigo
Estresse no trabalho
ANA MARIA ROSSI/ Presidente da Isma-BR

O estresse ocupacional tem feito sentir as suas conseqüências de forma cada vez mais forte e determinante, apesar dos crescentes estudos e pesquisas internacionais sobre o tema. Os dados apontam que os Estados Unidos gastam cerca de US$ 300 bilhões/ano com as conseqüências do estresse, e estima-se que no Brasil os gastos cheguem a 3,5% do PIB nacional anual. Hoje em dia, calcula-se que a quantidade de horas trabalhadas é de 52 horas/semana em média, sendo que a tendência é aumentar este total nos próximos anos. Em Porto Alegre, a realidade ratifica o crescimento do estresse ocupacional, já que pesquisa realizada pela Isma-BR (International Stress Management Association no Brasil), no final de 2006, apontou a sobrecarga no trabalho como a maior fonte de estresse para os porto-alegrenses, em 76% dos entrevistados. Diante deste cenário, fica a pergunta: Onde está sendo colocado todo o conhecimento acumulado sobre o estresse nas últimas décadas? O que está faltando nos programas das empresas que se propõem a gerenciar o estresse? Por que, apesar dos esforços, não se atingem os resultados desejados? A crescente competitividade, a automação dos processos e a exigência de sobressair-se num mundo globalizado e instantâneo fazem com que as empresas exijam mais e mais de seus funcionários, ocasionando um aumento constante de pressão em seus colaboradores. Atentas a este fato e aos custos com saúde (licenças médicas, incapacidade, absenteísmo) em conseqüência do estresse, as empresas têm implantado uma série de programas para melhorar a qualidade de vida de seus funcionários, entre os quais se destacam a implantação de academias de ginástica, programas de nutrição saudável, oportunidades de cultura e lazer e, mais recentemente, programas em que possam ser exercidas as questões de cidadania e responsabilidade social. Entretanto, diante do cenário que aponta o estresse corporativo como um dos grandes vilões responsáveis pela perda da qualidade de vida dos brasileiros, talvez seja hora de dar outro salto e minimizar os custos do estresse para as empresas, atentando para programas mais eficientes, os quais atinjam o âmago da questão. Nesse sentido, está sendo realizado até amanhã, em Porto Alegre, o 7º Congresso de Stress da Isma-BR e 9º Fórum Internacional de Qualidade de Vida no Trabalho para ajudar empresas e trabalhadores a atuar de maneira pontual em programas eficientes de qualidade de vida e na redução dos gastos com saúde através de treinamentos para gerenciar o nível de estresse que é o tema central do evento. Será que a exigência apenas do cumprimento da carga horária acordada e o oferecimento de programas que capacitem os funcionários a lidar com as inevitáveis pressões do mundo corporativo não iriam propiciar outros resultados?

Meu comentário....

Conforme divulgado pela mídia, existem algumas organizações brasileiras que têm conduzido ações destinadas ao controle do estresse ocupacional. No entanto, são ausentes na literatura nacional avaliações sistemáticas de efeitos destas intervenções. Sua eficácia e efetividade na prevenção de doenças ocupacionais são, portanto, desconhecidas em amostras brasileiras. Seria relevante que tais iniciativas de controle de estresse ocupacional fossem acompanhadas de procedimentos de avaliação de efeitos. Avaliações rigorosas poderiam evidenciar os efeitos resultantes para o trabalhador, para a empresa e para o sistema de saúde, tais como resultados sobre qualidade de vida, depressão, ansiedade, satisfação no trabalho, absenteísmo, custos com aposentadoria precoce por problemas de saúde, entre outros. Logo, informações derivadas de avaliações deste tipo podem ser de interesse de profissionais de saúde, administradores de empresas, gestores em saúde pública, sindicatos e trabalhadores em geral.